UGT chumba reforma da lei laboral. Ministra marca reunião da Concertação Social para 7 de maio
O secretariado nacional da UGT rejeitou por unanimidade a última versão da proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo. Acompanhamos aqui todas as reações.
Foto: António Pedro Santos - Lusa
CCP regressa à negociação laboral se UGT "apresentar pontos que tenham sentido"
O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, disse à Lusa que está disponível para voltar a negociar a reforma laboral "se a UGT apresentar pontos que tenham sentido serem discutidos ou rediscutidos".
"Se a UGT apresentar propostas que sejam equilibradas, estamos dispostos a discuti-las", disse o representante do comércio e serviços, embora insistindo que "terão de ser questões muito claras".
Em sua opinião, "uma discussão como a que se fez ao longo destes meses está neste momento esgotada".
Mas "como um acordo na Concertação Social será sempre mais valioso na Assembleia da República do que um não acordo, participaremos se acharmos que há valor acrescentado e que é possível chegar a conclusões", acrescentou.
Vieira Lopes reagia ao anúncio, pela ministra do Trabalho, de que vai convocar uma reunião de Concertação Social para 07 de maio para encerrar o processo negocial sobre a reforma laboral, horas depois de o secretariado nacional da UGT ter rejeitado por unanimidade a última versão da proposta de revisão da legislação laboral.
A recusa do órgão máximo da UGT em viabilizar o documento não foi, para o presidente da CCP, uma surpresa, a avaliar pelas reações públicas de alguns dos seus dirigentes nos últimos dias.
"Faz sentido o Governo querer a última versão do projeto numa reunião da Concertação Social, é normal e positivo", disse ainda.
Montenegro diz que consenso sobre pacote laboral está pendente de seis pontos
O primeiro-ministro garante que as negociações à volta do novo pacote laboral "têm seis pontos que ainda não mereceram consensualização e é sobre esses que deve incidir agora o esforço" de negociação. Em causa estão, em particular, o outsourcing e o banco de horas.
O primeiro-ministro afirmou que, para haver um acordo sobre o pacote laboral, é necessário que haja "uma cedência da UGT", considerando que foi o "único parceiro que ainda não cedeu" e pedindo-lhe que não mostre "intransigência total": "Aquilo que é necessário agora para poder haver um acordo é que haja também uma cedência por parte da UGT. Porque, em bom rigor, sobre aquilo em que não houve acordo, o único parceiro que ainda não cedeu foi a UGT", afirmou Luís Montenegro.
O primeiro-ministro afirmou que é necessário "aproveitar as próximas duas semanas para, de forma tranquila e sem paixões partidárias metidas ao barulho", fazer uma "avaliação final" para que não se prolonguem mais as negociações.
"Depois na última reunião, o secretário-geral da UGT levantou mais uns pontos", afirmou a ministra, desafiando a central sindical a clarificar a "divergência" entre aquilo que Governo e confederações patronais entendem que "estava por consensualizar e aquilo que a UGT entende que não está consensualizado".
Para o Governo, "cabe à UGT" tomar essa posição "e com propostas concretas", referiu a ministra, desafiando a central sindical a mostrar "o que é que quer exatamente e como é que quer exatamente" e afastando uma nova proposta da parte do executivo.
Ventura contrário à reforma laboral mas disponível para negociar
O líder do Chega critica o Executivo por ter avançado com uma estratégia errada para garantir o novo pacote de reforma laboral e não ter avançado com uma negociação prévia: "Estivemos a perder tempo. Há nove meses num simulacro de negociação".
Ventura criticara a estratégia do Executivo nestes meses de negociação, considerando que "o Governo geriu muito, muito mal este processo e que agora deixa basicamente no Chega o ónus de ter que aprovar esta reforma".
Considerando que era expectável a decisão da UGT, o líder do Chega defende que "estivemos a perder tempo, basicamente. Estivemos há nove meses num simulacro de negociação, estivemos há nove meses a fingir ao país, quer a trabalhadores, quer a patrões, quer aos empresários, que iríamos ter uma reforma laboral, quando, na verdade, aquelas duas partes sabiam que provavelmente não haveria nenhum consenso de reforma laboral".
"Estamos mais perto do que estávamos e diria até mais perto do que nunca de não termos nenhuma reforma laboral nem nenhuma revisão laboral. Isto deve-se muito à arrogância do Governo, à má gestão do Governo".
PCP acusa Governo de intransigência na lei laboral e diz que PR "não pode ficar indiferente"
A líder parlamentar do PCP acusou hoje o Governo de intransigência e de insistir "num embuste" no pacote laboral, e defendeu que o Presidente da República "não pode ficar indiferente" numa proposta que já foi "rejeitada pelos trabalhadores".
Perante o anúncio da ministra do Trabalho de que vai convocar uma reunião de Concertação Social para 07 de maio para encerrar o processo negocial, instando a UGT a "mostrar que quer efetivamente uma aproximação", o PCP acusou o Governo de intransigência.
"O que a ministra ainda agora demonstrou foi essa mesma intransigência: aquilo que são as intenções iniciais do Governo estão lá todas, porque o objetivo por parte do Governo, do patronato e de todos aqueles que estão disponíveis para acompanhar o Governo com esta proposta - nomeadamente a IL e Chega - o que pretendem é de facto atacar os direitos dos trabalhadores", acusou.
Paula Santos insistiu que "este pacote laboral está mais do que rejeitado pelos trabalhadores", dando como exemplos a manifestação da CGTP na semana passada, e apelando à mobilização contra este diploma nas comemorações do 25 de Abril e 1.º de Maio.
Questionado o que espera do Presidente da República, caso o texto venha a ser aprovado no parlamento, a dirigente comunista considerou que António José Seguro "não pode ficar indiferente" à posição já expressa pelos trabalhadores.
"O Presidente da República também não pode ignorar aquilo que tem sido o posicionamento por parte dos trabalhadores portugueses, nem pode ficar indiferente relativamente a isso: esperamos que assuma uma posição condicente com o juramento que fez de cumprir, defender e fazer cumprir a Constituição", apelou, admitindo que o diploma poderá ter também artigos contrários à lei fundamental.
Para o PCP a proposta do Governo não representa "qualquer modernidade" em matéria de leis laborais, e, pelo contrário, "significa andar para trás, décadas para trás".
A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho afirmou que "o Governo esperará nos próximos dias uma posição realmente construtiva e clara da UGT sobre os poucos pontos que ficaram em aberto" na sequência do processo negocial.
Palma Ramalho indicou ainda que "se essa posição vier" o executivo poderá "fazer um último esforço" de aproximação.
"Se não avançaremos com o diploma para o parlamento", acrescentou.
Iniciativa Liberal aponta "forças de bloqueio" na Concertação Social e no Parlamento
A presidente da IL considera que as centrais sindicais funcionam como forças de bloqueio, que são "avessas à mudança" e impedem que a legislação do trabalho deixe o século XX. A acusação de Mariana Leitão estendeu-se também ao PS e ao Chega.
Sobre o chumbo da UGT à proposta de revisão da lei laboral, Mariana Leitão desvalorizou o peso da decisão, já que "as centrais sindicais representam muito poucos trabalhadores, estamos a falar de sete a quinze por cento dos trabalhadores portugueses".
Ministra marca reunião da Concertação Social para 7 de maio
Maria do Rosário Palma Ramalho considera que o acordo para o pacote laboral agora apresentado está consolidado por todas as partes, "faltando apenas a ratificação da UGT nos seus órgãos". A ministra do Trabalho desafia assim a central a mostrar que quer uma aproximação e deixar "as fugas para a frente".
"Negociação presa pelo apoio do presidente à continuação das negociações"
"O Governo não pode continuar este simulacro de negociação, que se mantém presa pelo apoio do presidente da República à continuação das negociações. Não é possível continuar a simular uma negociação que, em alguns momentos, parece começar a ser uma negociação de má-fé, porque o Governo convoca reuniões atrás de reuniões, mas a sua proposta pouco ou nada evolui nas suas traves fundamentais".
PS acusa Governo de "simulacro de negociação"
O socialista Miguel Cabrita instou o Executivo Montenegro mostrar se está disponível para "alterar significativamente a proposta que tem sido sistematicamente rejeitada e criticada desde o início ou então assumir que não quer prosseguir o processo negocial".
"É uma proposta que mantém intactas as traves mestras que o Governo elegeu há nove meses e que obstinadamente mantém em cima da mesa: Mais contratos a prazo, maior instabilidade para os jovens, horários mais longos e mais mal pagos com prejuízo para as famílias, assim como despedimentos mais fáceis, redução de direitos sociais e laborais e sindicais".
Ministra do Trabalho fala às quatro
UGT rejeita alterações à legislação laboral por unanimidade
A decisão foi anunciada depois da reunião do secretariado nacional da UGT, que decorreu esta quinta-feira.
Mário Mourão não exclui nenhuma forma de luta, nomeadamente uma greve geral semelhante à de 11 de dezembro.
Quando foi apresentada, a proposta previa mais de 100 mudanças ao Código do Trabalho.
No que diz respeito às medidas mais criticadas pela UGT, segundo a proposta final a que a RTP teve acesso, o Governo deixa cair o alargamento da duração máxima dos contratos a termo certo e incerto e prevê alargar os serviços mínimos abrangidos em caso de greve apenas aos “serviços de cuidado a idosos, doentes, pessoas com deficiência e crianças institucionalizadas”.
Sobre a não reintegração de trabalhadores em caso de despedimento ilícito, o Governo propõe alargar essa medida para as pequenas e médias empresas, quando chegou a admitir incluir também as grandes empresas, e mexe também nas indemnizações a aplicar nestes casos.
A não reintegração após despedimentos ilícitos é uma das linhas vermelhas da UGT. No início, a medida poderia ser usada em todas as empresas. Agora apenas estão abrangidas as pequenas e médias empresas, deixando de fora a possibilidade das grandes empresas pedirem ao tribunal que exclua a reintegração de um trabalhador.
Em relação ao banco de horas, outro ponto quente da negociação, o Governo entende que "na falta de convenção coletiva de trabalho" possa "ser instituído por acordo expresso entre o empregador e o trabalhador".
Neste âmbito, mantém que "o período normal de trabalho pode ser aumentado até duas horas diárias e atingir 50 horas semanais, tendo o acréscimo por limite 150 horas por ano e um período de referência que não pode exceder quatro meses" e revoga o banco de horas grupal, estabelecendo que este “cessa no prazo de um ano a contar da entrada em vigor desta lei, salvo se, entretanto, se verificar algum facto extintivo desta modalidade de banco de horas”.
O Governo já avisou que mesmo sem acordo entre os parceiros sociais, vai entregar a proposta de reforma laboral no Parlamento.